terça-feira, 19 de abril de 2016

A História dos Universos Compartilhados


  Esse texto é a primeira parte de um 
destrinchamento que farei sobre o movimento 
dos Universos Compartilhados no cinema

  Na semana passada, tivemos duas notícias extremamente importantes para toda a indústria do cinema hollywoodiano. Uma delas revelava que James Cameron está preparado para expandir o universo de Avatar, filme de 2009 que sustenta o recorde atual de maior bilheteria mundial. A outra era a surpresa de que praticamente todas as maiores franquias da Hanna Barbera (atualmente sob o espectro da gigante Warner Bros) seriam levadas ao cinema, formando um gigantesco universo compartilhado entre todas.
  Tais decisões não são a toa, pois essa ideia é uma das mais utilizadas pelo cinema norte americano nos últimos tempos. A noção de universos compartilhados entre filmes está cada vez tomando mais espaço em Hollywood, praticamente criando um novo movimento cinematográfico, que está substituindo o modelo de criação das grandes franquias solo (que praticamente foi enterrado com o final da saga Jogos Vorazes, mas que foi um grande marco na história do cinema, que poderei explicar mais detalhadamente depois).
  Para explicar esse novo "movimento", que carinhosamente apelidei de "Universalismo", precisamos  pensar sobre seu início, que basicamente remonta a uma pequena produção realizada em 2008 pelo diretor Jon Favreau, chamada Homem de Ferro. O filme, lançado como uma aposta extremamente arriscada da recém criada Marvel Studios, acabou obtendo uma boa resposta tanto da crítica quanto do público, garantindo a oitava maior bilheteria do ano para o filme.


  Juntamente com o sucesso da obra de Favreau, foi lançado O Incrível Hulk, ainda no mesmo ano. Apesar da bilheteria ter sido fraca (a menor das produções Marvel até hoje), houve uma boa recepção da crítica, principalmente pelo fato de o protagonista do filme anterior da produtora possuir uma pequena participação que ligaria as duas obras.
  Porém, após 2008, houve um período em que nada mais foi lançado, fazendo com que todos achassem que a Marvel havia desistido de sua proposta até então única no cinema. Até que, em 2010, Favreau retornou para o comando de mais um filme da produtora, Homem de Ferro 2. A nova produção enraizou de vez toda a proposta da Marvel, agora recém-comprada pela Walt Disney, de criar todo um universo que serviria como fio condutor de suas películas. Com o sucesso do filme e a aceitação da empreitada pelos críticos, foram lançados em 2011 mais dois filmes da produtora, Thor e Capitão América: O Primeiro Vingador, que prepararam o terreno para a maior jogada dos últimos anos do cinema, o Lançamento de Os Vingadores, em 2012.


  O sucesso da produção foi surpreendente a quase todas as pessoas, com o filme quebrando diversos recordes e chegando a ocupar a terceira posição nas bilheterias mundiais na época (atrás somente dos praticamente imbatíveis Avatar e Titanic), se mantendo até os dias atuais na quinta posição (ultrapassado por dois filmes que também farão parte de universos compartilhados). Isso garantiu com que a Marvel Studios se tornasse praticamente intocável, fato que somente aumentou com o lançamento de Homem de Ferro 3, em 2013. que também entrou para a lista de maiores bilheterias mundiais, se mantendo em décimo lugar atualmente.
  Na mesma época, dois fatos importantes para a história do movimento ocorreram: a venda dos direitos do Universo Star Wars para a Walt Disney em 2012 e o lançamento de O Homem de Aço em 2013, que iniciou o processo de criação do Universo Estendido DC nos cinemas (a DC é a maior rival da Marvel atualmente). Ainda em 2013, houve o lançamento de mais um filme do UCM, Thor: O Mundo Sombrio.


  E assim, 2013 terminou com os universos compartilhados ganhando muita força. Portanto, no início de 2014, a aposta arriscada da Marvel Studios já estava estabelecida nas mentes de todas(os) espectadores. Com a lançamento dos altamente aclamados Capitão América: O Soldado Invernal e Guardiões da Galáxia, o modelo marveliano confirmou estar mais forte que nunca. 
  Tanto que 2014 foi o ano em que praticamente todos os estúdios decidiram que iriam aderir à ideia. A Sony lançou O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, que pretendia ser o início de um universo cinematográfico do herói. A Universal lançou Drácula: A História Nunca Contada, que seria o início de seu universo compartilhado de monstros clássicos. No final, ambos foram uma bomba, mas por aspectos específicos que não encerraram as ideias de suas produtoras.


  Mas, ao mesmo tempo, dois filmes obtiveram sucesso em 2014. De um lado, o já conhecido Universo X-Men (recentemente havia sido anunciado que tal universo seria expandido) lançou X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, que se tornou a maior bilheteria da série e foi bem aclamado pela crítica. De outro lado, houve o lançamento de Transformers: Era da Extinção, que, apesar de não ser bem avaliado pela crítica, foi a maior bilheteria mundial do ano, ultrapassando a barreira de um bilhão de dólares no mundo. Após o sucesso comercial da produção, a Paramount anunciou que o universo Transformers seria mais explorado por vários filmes spin-of.
  O final de 2014, aliás, foi repleto de anúncios de Universos Compartilhados, sendo os mais importantes os realizados pela Warner Bros e pela Marvel Studios, que revelaram os títulos dos próximos filmes de seus universos compartilhados (no caso, o Universo Estendido DC, o Universo LEGO e o Universo Cinematográfico Marvel) até 2020.
  

  É importante lembrar que 2014 foi um ano fraco nas bilheterias mundiais, fato que não se repetiu em 2015, com o lançamento de quatro filmes que conseguiram entrar na lista de 10 maiores bilheterias do cinema. Todas, no final, revelaram ser partes de universos compartilhados: Star Wars: O Despertar da Força faz parte do universo Star Wars, Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros faz parte do universo Jurassic Park, Velozes e Furiosos 7 faz parte do universo Velozes e Furiosos, por fim, Vingadores: Era de Ultron faz parte do já citado UCM.
  Voltamos aos dias atuais, com as notícias que deram início a esse texto. Pode-se perceber, portanto, que o Universalismo, de uma ideia arriscada da Marvel Studios, está aos poucos se tornando o principal movimento hollywoodiano dos dias atuais. Para encerrar, queria listar aqui somente os universos compartilhados que eu me lembro de cabeça, e lembrar que esse texto possuirá uma continuação, ainda sem previsão de lançamento.

Principais Universos Compartilhados:

Branca de Neve
Transformers
Marvel
DC
Monstros Universal
LEGO
Avatar 
Hanna Barbera
Star Wars
Harry Potter
Velozes e Furiosos
Terra Média

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